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CRITÍCA - ADEUS CEGONHA...
A cegonha é uma ave que habita em zonas de arrozais e noutras zonas húmidas, predominando nas margens do Ria Sado e, em especial, na cidade de Alcácer do Sal.
Elas capturam os seus alimentos nos arrozais e fazem os ninhos em locais altos nas áreas envolventes a estes campos de arroz. Postes eléctricos, postes telefónicos, torres de igreja, muralhas do castelo, …, são alguns dos locais preferidos pelas cegonhas para fazer os seus ninhos.
Segundo dizem os agricultores, a população de cegonhas tem vindo a aumentar com a sensibilização destes e com uma maior preocupação ecológica no desenvolvimento da prática agrícola.
As cegonhas são uma constante nos céus de Alcácer do Sal ou pousadas nos seus ninhos, um pouco por toda a cidade. Até para quem não conhece a cidade de Alcácer do Sal, existe uma clara identificação da cidade com a “sua” cegonha.
Há cerca de uma década, a Câmara Municipal de Alcácer do Sal não pode deixar de escolher a cegonha para o seu logótipo. Onde se manteve até ao passado mês de Junho. O actual logótipo da Câmara Municipal de Alcácer do Sal é o “Ket Sal Abu”.
O “Ket Sal Abu” é … um painel de mosaicos, … um azulejo azul que escorregou da mão de alguém e foi de novo colado com cola dos chineses, …é um logo abstracto que cada um poderá explicar à sua maneira.
Só para terminar … ainda há os que dizem que o “Ket Sal Abu” é uma versão azul remix da rosa socialista … não sei onde foram tirar essa ideia. Só para que não subsistam duvidas, abaixo junto os dois logótipos para que vejam as diferenças.
Adeus cegonha …
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Luis Tavares |
ARTIGO
PRINCIPAL - CRIANCINHAS
A criancinha quer Playstation. A gente dá.
A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa.
A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em festim de chocolate.
A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às litradas. A gente olha para o lado e ela incha.
A criancinha quer camisola adidas e ténis nike. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito como os colegas da escola e é perigoso ser diferente.
A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe o comando.
A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua.
Entretanto, a criancinha cresce. Faz-se projecto de homem ou mulher.
Desperta.
É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária. E gasta metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares.
A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.
A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comecem a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira.
A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência meramente informal. A rebeldia é de trazer por casa.
Responde torto aos papás, põe a avó em sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são «uma seca».
Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo. A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal. Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora. Os papás, arrepiados com a violência sobre as criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho sou eu».
A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles.
Provavelmente, não terá um emprego. «Mas ao menos não anda para aí a fazer porcarias».
Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas, das famílias no fio da navalha? Pois não, bem sei. Estou apenas a antecipar-me. Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo. E então teremos muitos congressos e debates para nos entretermos.
Isto são os Paizinhos que se dizem Modernos.
É por isso que hoje em dia não há respeito por ninguém, em lado nenhum.
Vai ser este o Futuro da nova geração.
In "Visão" |